Argumento
30.06.2005
Alimentos Funcionais
Afinal, funcionam?
por Beatriz Padrão

Você já ouviu falar em leite com ômega 3, pães que contêm fibras e soja ou em iogurtes que prometem regular o fluxo intestinal? Esses alimentos viraram moda e são classificados como funcionais ou nutracêuticos. Essa classificação engloba os alimentos que em formas naturais ou processadas, contêm níveis significantes de componentes bioativos, ou seja, além de terem propriedades nutritivas produzem benefícios à saúde, à capacidade física e ao estado mental.Segundo a ANVISA, órgão que regulamenta a produção de alimentos funcionais, seu consumo deve ser seguro, sem prejuízos à saúde ou necessidade de supervisão médica.

Segundo a Dra. Anna Paola Pierucci do Dpto. de Nutrição Básica e Experimental da UFRJ, os primeiros funcionais, e os mais comercialmente importantes, foram os produzidos com a adição de microorganismos probióticos, como as bactérias lácticas e fungos que atuam na prevenção de distúrbios gastrointestinais. "Atualmente tem-se registro de mais de 100 tipos de alimentos funcionais, os quais envolvem diferentes substâncias bioativas, como terpenos, fenóis, flavonóides, oligossacarídeos, ácidos graxos polinsaturados e outros. Esses ativos, em geral, têm propriedades que podem prevenir alergias, alguns tipos de câncer, inflamações, melhorar a ação do sistema imunológico e combater radicais livres que provocam o envelhecimento das células, entre outras".

Além da classificação dos probióticos, existem os bioativos prebióticos que servem de alimento para microorganismos probióticos, e ainda os simbióticos, que são a junção dos alimentos dos dois grupos anteriores, como misturar iogurte natural na salada e acrescentar cebola.

A Dra. Pierucci ainda lembrou que os benefícios dos alimentos funcionais estão diretamente associados ao consumo de uma dieta equilibrada e aos hábitos de vida saudáveis, como a prática regular de atividades físicas. Desta forma, a eficácia do consumo de alimentos funcionais é mais relacionada à prevenção e ao tratamento do que a cura de doenças. "Alimentos funcionais não são medicamentos, o consumo de alimentos funcionais in natura deve ser incentivado para compor uma alimentação balanceada. Os alimentos funcionais processados, os quais são acrescidos de substâncias ativas em concentrações não naturais, não apresentam riscos à saúde, porém, considero que seu consumo deve ser avaliado caso a caso, preferencialmente, por um nutricionista. Para o leite com ômega 3, por exemplo, existem outras fontes alimentares que possuem maior concentração desse composto, como sementes de linhaça, castanhas e peixes (atum e salmão), que podem ser consumidos em porções menores, conferindo vantagens ao consumidor, principalmente sob os pontos de vista da saciedade e do econômico, acrescentou Anna Paola".

COMPOSTOS

AÇÕES NO ORGANISMO

FONTES ALIMENTARES

Betacaroteno

Antioxidante que diminui o risco de câncer e de doenças cardiovasculares

Abóbora, cenoura, mamão, manga, damasco, espinafre, couve

Licopeno

Relacionado à diminuição do risco de câncer de próstata, de pâncreas, de intestino e de pulmão

Tomate

Fibras

Redução da glicemia em diabéticos, do risco ao câncer de intestino e dos níveis de colesterol sangüíneo

Frutas, legumes e verduras em geral e cereais integrais

Aleína

Previne inflamação

Alho e cebola

Clorofila

Estimula a produção de hemácias

Vegetais Verdes

Flavonóides

Antioxidantes que diminuem o risco de câncer e de doenças cardiovasculares

Suco natural de uva, vinho tinto

Isoflavonas

Redução dos níveis de colesterol sangüíneo e do risco de doenças cardiovasculares

Soja

Ácido graxo ômega 3

Redução dos níveis de colesterol sangüíneo e do risco de doenças cardiovasculares

Peixes, óleo de peixes, semente de linhaça e castanha

Pró-bióticos

Ajudam no equilíbrio da flora intestinal e inibem o crescimento de microrganismos patogênicos

Iogurtes, leite fermentado