Agência de Notícias da UFRJ www.olharvital.ufrj.br
Edição 240
04 de novembro de 2010

Ciência e Vida

Tiririca ajuda a embelezar campus da UFRJ

Sidney Coutinho

Tiririca é uma praga para muitos. Mas para duas estudantes da UFRJ a planta pode ajudar a embelezar o campus da universidade com uma técnica que ajuda na produção em escala de duas plantas ornamentais muito utilizadas para o paisagismo: a Bela Emília (Plumbago auriculata) e a Ixora (Ixora coccinea). Patrícia dos Santos Souza e Fernanda Alves Bucci, sob orientação da professora Anaize Borges Henriques, do laboratório de Fisiologia de Desenvolvimento Vegetal, decidiram empregar o sumo proveniente da maceração da “batatinha” da Tiririca (cyperus rotundus L.) para induzir a geração de raízes em estacas das plantas ornamentais no Horto da Prefeitura Universitária.

Pela ampla distribuição, agressividade e capacidade de competição, associada à dificuldade de controle e erradicação, a Tiririca é considerada uma infestação em diversas áreas do globo, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais. No entanto, nos tubérculos (batatinhas), que ficam a não mais que 20 centímetros sob a terra, há grande concentração de substâncias semelhantes ao ácido indol butírico (IBA) e ao ácido naftaleno acético (NAA), dois reguladores de crescimento comumente utilizados na indução do crescimento de raízes.

“Nós já sabíamos de trabalhos sobre o assunto, mas decidimos fazer a experiência com o extrato do tubérculo da Tiririca para desenvolver a Ixora e a Bela Emília, duas espécies que o horto tinha dificuldades em gerar, e desenvolver nosso trabalho de conclusão de curso de Biologia Vegetal”, disse Patrícia. De acordo com a engenheira agrônoma, Angela Iaffe, que trabalha na estufa do Horto, além de promover redução de custo, a técnica resolveu um problema ao alavancar a produção das duas espécies ornamentais. “A Bela Emília, por exemplo, não conseguíamos multiplicar sem o recurso”, disse. 

A técnica é inédita para as duas espécies 

Após macerar aproximadamente 50 gramas de tubérculos, o sumo é misturado com um litro de água. “A proporção é baixa. Ainda estamos avaliando se esta é a quantidade ideal. Se usarmos muito a Tiririca o efeito é inverso, pois a planta tem como característica tornar o meio ácido e inibidor de raízes. O que estudamos é justamente a proporção mais adequada, além de simplificar o processo de obtenção do sumo, com uso de outros processos mecânicos”, afirma a estudante Fernanda Alves Bucci, acrescentando que comparações com os insumos artificiais ainda serão realizados.

Do caule das duas espécies são retiradas as estacas com 7 a 12 centímetros, que depois têm as pontas mergulhadas por não mais que 20 minutos na solução. “Nós induzimos o processo de enraizamento com o hormônio vegetal. Em seguida, inserimos a estacas no solo e regamos normalmente, sem precisar mais utilizar a solução. Vamos comparar com os hormônios sintéticos comumente vendidos no mercado e que chegam a custar R$ 90 por quilo”. Além disso, outra experiência é desenvolver as estacas em um solo arenoso, com baixa absorção de água. Nos testes preliminares, as primeiras raízes surgiram após 60 dias.

Até o momento nenhum trabalho havia sido realizado com as duas espécies ornamentais. Segundo a professora orientadora, Anaíze Borges Henriques, além do lado acadêmico, o trabalho auxilia em um primeiro momento a universidade, mas no futuro pode contribuir para que toda a sociedade se beneficie de um processo com a redução de custos. “As estudantes estão aprofundando a técnica, que poderá servir para outros modelos. Sem considerar que a produção em larga escala em desenvolvimento ajuda na reposição de mudas e contribui para manutenção dos jardins, que chegam a ter perdas de 30% ao longo do ano”, disse.

Para quem não conhece as duas plantas ornamentais, elas podem ser encontradas nos jardins em frente ao Restaurante Universitário, nos canteiros que dividem as pistas entre o Centro de Tecnologia (CT) e o Centro de Ciências da Matemática e da Natureza (CCMN) e em muitos outros espaços da Cidade Universitária. Ambas são espécies arbustivas e bem resistentes. A Bela-Emília, também chamada de jasmim azul, tem flores azuladas em forma de pequenos buquês, enquanto a Ixora tem floração na primavera e no verão, com numerosas flores de cor alaranjada, que atrai polinizadores. 

Anteriores